a conversa

À Conversa com Daniela Sá

A sustentabilidade ambiental é um tema central para o desenvolvimento do nosso Mundo e a Daniela Sá está a deixar a sua pegada verde na moda.

Fomos descobrir quem é esta designer e de que maneira estão os seus valores intrinsecamente ligados aos da Dress For Success (DFS).

Sempre foi apaixonada por moda?

Najha.com

Eu acho que sim! Desde pequena que desenho as minhas roupas. Às vezes os pais acham que são apenas brincadeiras de crianças por isso, ao longo do tempo, fui perdendo essa ligação à moda – na adolescência e por aí fora.

Entretanto, quando iniciei o projecto da Najha, já tinham vindo os bichinhos da moda e do desenho outra vez. Até que: “finally alive again”!

Quando é que a consciência ambiental fez sentido dentro dessa paixão?

Eu acho que estiveram sempre par a par. Eu já era vegetariana.

Depois há um clique maior. Fui procurar matérias sem origem animal – vegan – e fui também conhecer processos de fabrico com impacto ambiental menor. Acabei por entender que há mais além daquilo que eu já estava a fazer. Então as coisas foram crescendo. Pensei “okay, estou a fazer isto mas o que é que eu posso fazer mais? Continuo a contribuir para a poluição”.

Fiz um reset e foquei-me em tudo isto. A questão ambiental tem-se vindo a refinar!

A Najha – criada em 2014 – é um canal para explorar esta questão moda-ambiente?

Exactamente! A Najha é o centro para a tal consciência ambiental e animal, veganismoum lifestyle mais sustentável.  

Considera a reciclagem fulcral para o conceito de moda sustentável? Seja reciclagem literal ou a que fazemos na DFS: dar nova vida a peças usadas!

Najha.com

Super! Na Najha tudo é reciclável e as pessoas que trabalham connosco – se não sabiam – aprendem a reciclar e levam isso para casa!

Resíduos que sobrem do corte são reutilizados noutros produtos, por exemplo, bases para copos.

Se tu compras um produto e ao fim de x anos já não o queres:  podes devolver-nos, recebendo um voucher para desconto numa nova compra. Nós passamo-lo por um processo de desinfecção e reutilizamos o material para novas peças. Basta mandar-nos um e-mail e nós tratamos do resto!

Vai também promover um novo evento ‘Greenest Fashion Event’. Quer explicar-nos como surgiu o conceito?

O ‘Greenest Fashion Event’ nasceu da minha vontade de, todos os anos, fazer um evento com conceito para mostrar a coleção – que  tem um tema e deve ser vivido: através de música ao vivo, dança contemporânea, já fiz pintura ao vivo…

Ao preparar as coisas para este ano, tenho vários parceiros de Lisboa e do Norte (como por exemplo: a ETIC, Miguel Modesto Design, Great Sailing Tours e a DFS, entre outros) que me ajudaram a transmitir esta mensagem.

O importante é criar na moda um changing point em termos de sustentabilidade – sendo a moda o segundo sector mais poluente do mundo, temos de torná-lo sustentável senão destruímos de vez o planeta.

Vamos falar de temas como green chemestry, sustentabilidade, consumo consciente, fare trade na partilha de informação entre diversas áreas. Será um conceito coeso e sólido para que possa ser enraizado.

O objetivo é também criar ligações e , através do meu exemplo da Najha, mostrar que consigo fazê-lo e que, para além de sustentável, é giro! Por exemplo, um casaco de ganga orgânica!

Ser transparente é super importante. Fui oradora no evento Fashion Revolution e foquei-me na transparência da produção: explicar o valor acrescentado do produto.

Às vezes trabalhar mentalidades não é fácil, as pessoas são muito rígidas.

Por isso o conceito gira à volta de tudo isto! Aliás, o slogan da marca é Grow a New Lifestyle.Tornar a sustentabilidade numa realidade!

É já no dia 22 de Maio num jardim de Lisboa ainda por revelar!

Em Portugal já há espaço para introduzir os conceitos “eco-luxo” e moda vegan no mercado?

Sim! Em Portugal as pessoas não estão tão abertas mas é um caminho passo a passo e já se notam diferenças.

As pessoas têm de entender que os hábitos têm de mudar e isso passa também por influenciadores e speakers que, neste momento, já entendem o veganismo de outra forma e realmente querem ir por essa linha.

As pessoas ainda não conseguem entender a moda sustentável associada ao luxo. Quando pensam em sustentabilidade, ainda imaginam garrafas de plástico agarradas aos pés!

Isso é que temos de desconstruir!

A cortiça é um produto que orgulha qualquer português. Pode explicar-nos como também é sustentável?

Então, a cortiça é a casca do sobreiro e, desde a primeira tiragem ao fim de 25 anos, vai crescendo. Ao fim de mais 9 anos tornamos a tirar e ela volta a crescer – e assim sucessivamente.

Ou seja, não é uma coisa que tiramos da natureza e acaba ali! Não! Ela é mesmo retirada para ser renovada e cada vez que é retirada, a qualidade aumenta (começa fraquinha). E pode ser reciclada!

Também os sobrados têm uma imensa biodiversidade a nível de fauna e flora.

Adoro trabalhar com cortiça! Ouvir pessoas a dizer “uau, como é que conseguiste fazer aquele efeito?”. O objetivo é esse porque se nos limitarmos à cortiça natural, chega ao fim de um tempo e cansa.

As marcas devem criar atracção porque a moda é mesmo isso. Eu quero estar na moda e sustentável mas também quero “look nice”!

Precisamos de descontruir o mindset, primeiro que a cortiça é rolha (ás vezes perguntam-me como é que da rolha faço uma bolsa! risos); e que é um material duro e não maleável (“se eu usar um casaco de cortiça, vou parecer uma rolha?”). Por isso é que são importantes os desfiles, para as pessoas verem com os seus próprios olhos!

É importante colocar isto nas passerelles! E aqui falo mesmo das semanas da moda! Temos um convite para em Outubro ir à Semana da Moda de Macau e a ideia é levar estes conceitos, a cortiça e o algodão orgânico para lá!

Hoje em dia já há mais métodos para manipular a cortiça e os materiais orgânicos? 

Sim! Eu faço muita investigação e acho que as marcas o devem fazer. Neste caso, falamos especificamente de cortiça. Mas para normalizar qualquer material orgânico, deve ser feita muita pesquisa e torná-los versáteis e usáveis para a moda para, de uma vez por todas, as pessoas desconstruírem o mindset que vão parecer rolhas!

É preciso entender que a cortiça é um material nobre, tal como é o algodão e a a ganga orgânica. Daí também serem mais caros!
Basta pensar: umas botas por 5/10€ numa marca de fast fashion…. é um atentado à inteligência do consumidor! Porquê? Porque por trás deste preço está certamente: o fabrico de um tecido em condições más e sem cuidados ambientais; e inúmeros trabalhadores mal pagos.

Aquilo que a pessoa está a pagar não paga o quanto ela está a ser prejudicada a nível ambiental e animal! Não só a própria pessoa mas também a sociedade actual e as gerações que estão para vir.

Temos mesmo de ser responsáveis por um changing point !

O que faz a Daniela Sá nos tempos livres?

Eu sou uma workaholic! Mas…  Pratico yoga, aero yoga e pilates.

Vocês vão ter oportunidade de ver uma demonstração tribal no evento – porque a coleção se chama Tribe. Será dinamizada pela Ana Cristina Gonçalves do The Way, parceira do evento.

Os meus tempos livres estão todos ligados também ao que faço na minha carreira. It’s my way of life!

Faz sentido fazer yoga, pegar na mochila e ir para a montanha.

Ver filmes/documentários ligados ao ambiente e oceanos. Ler livros interessantes – acabei de ler um livro sobre ferramentas para activistas para eu entender como posso criar ainda mais impacto na sociedade.

Há pouco tempo fiz um curso de mergulho por causa de um projecto que estou a desenvolver ligado aos golfinhos.

Estar com amigos! Juntar-me a pessoas com quem gosto de conversar, com quem posso partilhar e aprender. Fora de cafés! Adoro cozinhar para amigos, tudo vegan! Adoro inventar receitas!

E gosto de praia! (Sorriso completo). Adoro praia! Moro à beira mar. Adoro o som e o cheiro!

Que mensagem dá a qualquer mulher que se queira Vestir Para Vencer?

É muito giro estares a perguntar-me isso agora porque a Tribo no nosso evento quer passar a mensagem da Força Feminina. É importante, quando se veste para ter sucesso, ser através desse feminino e não da mensagem exterior.

Aquilo que a mulher é dentro, trazer para fora.

Eu vejo a mulher como um ser deliciado, consciente e que cuida, e é importante que a nova consciência que nasce no mundo tenha esse poder feminino!

Francisca Pedra Soares, para a Dress For Success

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