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O Pote da Calma

Já vos aconteceu ficarem fixados num brinquedo como uma criança vidrada numa loja de brinquedos? Pois essa sou eu quando vislumbro o «Pote da Calma». Aquele cair lento das purpurinas faz com que a minha respiração e a atenção acompanhem todo aquele movimento tornando-me, cada vez mais calma. Um brinquedo simples de se fazer mantendo a simplicidade na sua utilização. Apresentei-o à minha filha pedindo que se imaginasse sendo o frasco e quando ela sente medo ou raiva, tudo dentro dela ficaria agitado tal como no frasco (agitando-o em simultâneo) mas se o parássemos, começaria a acalmar-se, como o movimento das purpurinas.

Este parar não significa que devamos reprimir as emoções. O que seria do pote da calma sem as suas purpurinas? Devemos sim dar atenção à emoção, saber o que ela tem para nos contar. No meio do turbilhão, fazer por parar por um breve instante que seja, sentir a emoção no corpo e verificar que pensamentos vêm à mente, como se fosse uma espectadora. Fará a diferença entre o reagir e agir. Uma excelente forma para desenvolver essa capacidade, é através da Meditação.

Os estudos indicam que temos em média 80.000 pensamentos por dia e destes, 70% são negativos. Com estes números com facilidade entramos em ebulição, porque reagimos em vez de agirmos. Então, passo a passo, tornemos pequenos gestos em hábitos. Qual a principal vantagem? Talvez os 80.000 pensamentos se mantenham mas a atenção e a força que lhes dará começará a ser muito menor. A não identificação com os pensamentos negativos é um dos grandes benefícios da meditação e com isso, conseguirá maior foco, concentração e melhor gestão emocional. Como qualquer exercício de educação, a meditação também requer tempo, persistência e aceitação.

Deixo-vos com uma história que espero vos inspire e vos faça agir, passo a passo. E aqui vai:

«Houve uma altura aqui na terra , há muitos milhares de anos, em que todos os seres humanos eram deuses. Cada pessoa que por aqui andava tinha o poder de um deus, todos eram eternamente felizes, seres radiantes, cheios de compaixão e amor. Era como se o céu tivesse descido à Terra. Mas, no meio de todos esses deuses, havia um que era considerado o Rei dos deuses. Era esse Rei que orientava tudo e que, de certa forma, governava os outros deuses. Certo dia, o tal Rei dos deuses chamou os seus melhores amigos. Reuniram-se numa sala e o Rei transmitiu a sua mensagem:

          – Meus caros, tenho a dizer-vos que estou um pouco farto de que todos sejam deuses, decidi que vos vou retirar esse poder e que vão passar a ser novamente pessoas comuns.

          Os amigos do Rei ficaram assustados mas sabiam que ele estava sempre certo nas suas decisões e assim aceitaram a sua vontade. Um dos amigos do Rei, Gafur, perguntou:

– Meu Rei, o que vais tu fazer com o poder de cada pessoa, se o vais retirar, vais colocá-lo onde?

– Boa pergunta Gafur, vamos pensar onde o vamos esconder…

– Já sei, meu Rei, vamos colocá-lo bem nas profundezas do oceano, onde nunca nenhum ser humano conseguirá chegar! – disse Gafur com entusiasmo.

– É uma boa ideia, mas penso que não é a melhor opção…os seres humanos são muito inteligentes e vão acabar por lá chegar, um dia.

          Outro amigo do Rei, Premba, deu conta de que tinha uma sugestão:

– Vamos escondê-lo na montanha mais alta que houver na Terra!

Outro companheiro do Rei, Brama, sugeriu:

– Ou fazemos um buraco com milhares de metros de profundidade e enterramos lá o poder!

O Rei ouvia atenciosamente as sugestões dos seus amigos, mas não estava feliz com nenhumas das opiniões, pois sabia que os seres humanos eram muito inteligentes e que certamente iam acabar por voltar a descobrir o poder de ser Deus.

Assim, o Rei partiu e foi reflectir durante alguns dias sobre o que fazer com esta situação. Passados alguns dias, o Rei voltou a chamar os seus amigos para mais uma reunião. Estavam todos sentados à volta da mesa, o Rei levantou-se e disse:

– Meus amigos, já sei onde vou esconder o poder.

Todos ficaram curiosos e perguntaram ao Rei qual o lugar que tinha escolhido. E o Rei falou:

– Meus amigos, o poder será escondido num lugar em que os seres humanos nunca irão procurar, por ser demasiado óbvio e por estar tão perto deles. Eu decidi que o poder da felicidade eterna, o poder de nos tornarmos um só com Deus, vai ficar escondido dentro de cada ser.»

Boas descobertas interiores!

Cláudia Marques

Psicóloga, mãe e eterna aprendiz


Leitura recomendada:

O Pequeno Buda de Tomás de Mello Breyner

Que clima este! Uma abordagem criativa para gerir as emoções de Maria Mercè Conangla e Jaume Soler

O Monstro das Cores de Anna Llenas (para crianças*)

Um Dragão em Brasa de Robert Starling (para crianças*)

Emoções e Sentimentos ilustrados de Paulo Moreira (para crianças*)

*embora sejam livros direccionados para crianças também poderão ser lidos e praticados por adultos


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